Amor Fati
Ela espera-me no conforto da promessa…
de que o meu toque a leve para um outro lado
onde seja amada
compreendida
aceite
Mas os meus dedos são folhas de Outono
quebradiços no futuro da pele sedenta…
Enlace de mãos em mudo desejo
são regaço para consolo de identificação mútua…
nas asas dela sonho, e nesse estado onírico experiencio a minha vertiginosa condição.
Regressar à escuridão, limpo de culpa,
vazio de afeto…
Visto-me de melancolia
canto-me enganos
embalo-me em ilusões
adormeço…
de cabeça pousada em desespero
Lá fora, ouço-as….
hienas salivam-me a carne,
acossando-me em círculos medíocres desdenhosos do meu mundo interior…
canibais quando nada mais se adivinha no dia.
Desenganos a cada esquina
mais para engolir
digerir
distorço-me, em desconhecimento de mim
mato-me, esperando renascer diferente
Perdi-me no caminho para casa,
ermita nas tuas ruas…
sem passos que me valham…
meu rasto de sangue em asfalto
pinta caminho ao sofrimento